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Como avaliar a função visual no doente
diabético?
Amândio Rocha Sousa
Departamento de Orgãos dos Sentidos da Faculdade de
Medicina da Universidade do Porto e Serviço de Oftalmologia
do Hospital de São João
A avaliação da função visual envolve, prioritariamente, a medi-
ção da acuidade visual, sensibilidade ao contraste, do campo visual,
da cor e da função visual em condições diferentes de luminância
(
escotópicas, mesópicas e fotópicas). Nos doentes diabéticos obser-
vamos alterações destas funções dependentes quer da sua doença
quer do facto de terem sido sujeitos a LASERterapia.
Para tentar responder à pergunta “como avaliar a função visual
em doentes com retinopatia diabética” resolvemos subdividi-la em
duas vertentes diferentes:
I. como avaliar as queixas visuais dos doentes diabéticos e
II. como avaliar, na clínica, a função visual dos doentes com
retinopatia diabética.
COMO AVALIAR AS QUEIXAS VISUAIS DOS DOENTES
DIABÉTICOS
A resposta à primeira pergunta obriga ao conhecimento das
alterações da função visual que se manifestam com a evolução da
retinopatia diabética. A retinopatia diabética promove alterações
importantes da função visual aos mais diversos níveis, sendo a perda
de visão central o principal e mais tardio sinal de alerta. As alterações
mais precoces manifestam-se em perdas noutras variáveis da função
visual, nomeadamente contraste, visão em condições escotópicas,
cor, adaptação a condições de grande variação de luminosidade e
perda de campo visual.
Alterações do contraste
As alterações do contraste estão descritas em doentes com retino-
patia diabética, quer tratados com LASER quer com retinopatia não