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O buraco macular lamelar (BML) é um defei-
to parcial da espessura da retina a nível da
região foveal. À fundoscopia apresenta-se
como uma lesão avermelhada, redonda ou
oval, bem delimitada e, geralmente, centrada
na fóvea
1
.
A tomografia de coerência óptica de domínio
espectral (SD-OCT) é o exame de referência
para o diagnóstico e monitorização do BML.
Os quatro sinais tomográficos característicos
do BML baseados na observação do OCT
são
2,3
(Figura 1):
•
Contorno foveal irregular.
•
Defeito a nível das camadas internas da
fóvea (pode não haver perda de tecido no
momento actual).
•
Deiscência intrarretiniana horizontal, tipica-
mente entre a camada plexiforme externa e
camada nuclear externa (Figura 2).
•
Integridade da camada de fotorreceptores.
O BML tem sido observado em olhos com
edema macular quístico secundário, a cirur-
gia de catarata e em associação com outras
patologias oculares, nomeadamente a miopia,
uveítes, degenerescência macular da idade ex-
sudativa e descolamento da retina
2,4
.
A patogénese do BML ainda não foi comple-
tamente elucidada. Vários mecanismos basea-
dos nas características tomográficas têm sido
propostos:
•
Formação incompleta de um buraco ma-
cular.
•
Complicação do edema macular cistóide
5,6
.
•
A presença de membrana epirretiniana que
exerça tracção centrífuga sobre a fóvea e
provoque a rotura da retina interna, tanto de
forma isolada, como em associação com a
tracção vítreo-macular
3-7
.
A adesão vitreopapilar com descolamento
posterior do vítreo incompleto está presente
em cerca de metade dos olhos com BML, o
que sugere que a persistência de tracção ví-
treo-retiniana desempenha um papel impor-
tante em alguns casos
8
.
A progressão do BML é, habitualmente, lenta.
A maioria dos doentes apresenta um grau ligei-
ro a moderado de diminuição da visão central
e metamorfópsias, sendo a acuidade visual
estável
9
.
As causas mais importantes de deterioração
visual são o desenvolvimento de edema ma-
cular quístico, aumento do diâmetro do buraco
macular e a redução da espessura foveal.
Capítulo 12.
O que é um buraco lamelar?
Mário Neves, Tânia Rocha




