71
O edema macular diabético (EMD) é a principal
causa de hipovisão no doente diabético.
A participação do vítreo na génese do EMD é
reconhecida por vários autores desde há cerca
de 30 anos.
Em 1989 Nasrallah F.P. escreveu sobre a im-
portância do humor vítreo na formação do EM
cistóide do doente diabético
1
. O mesmo autor
descreve a resolução do edema macular (EM)
em diabéticos que sofreram separação total e
espontânea do vítreo (descolamento posterior
– DPV – total e espontâneo)
2
.
Em 1992 Lewis H. comprovou a eficácia da vi-
trectomia com “
peeling
” da hialóide posterior
espessada, no tratamento do EMD
3
.
Contudo o DPV pode não ser total. Nestes ca-
sos permanecem pontos de tracção periféri-
cos ou maculares.
A tracção vítreo-macular (TVM) contribui com
frequência para a formação do EMD.
A frequência do edema macular difuso é 3 a
4 vezes maior em doentes com TVM do que
nos doentes sem DPV ou com DPV total
4
(Fi-
guras 1 e 2).
Com microscopia electrónica de varrimento
foi possível demonstrar que 44 % dos olhos
com DPV completo apresentavam restos de
córtex vítreo aderente à retina
5
. Estes restos
de córtex vítreo denominados por alguns au-
tores de
vitreoesquisis
, não são detectados
pela tomografia de coerência óptica (OCT).
A
vitreoesquisis
e o espessamento do córtex
posterior do vítreo contribuem, de alguma for-
ma, para o desenvolvimento do edema ma-
cular diabético
6
. Aproximadamente 21 % dos
casos de EMD ocorrem com hialóide poste-
rior espessada e a exercer tracção sobre a
mácula
7
. Estudos com OCT demonstraram
que o espessamento da hialóide associa-se
frequentemente ao DPV parcial e à presença
de líquido subretiniano
8
.
Capítulo 16.
Que particularidades tem a tracção
vítreo-macular no edema macular diabético?
Vítor Rosas
Figura 1.
DPV total




