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A

alta miopia

define-se por um equivalente

esférico maior que –6,00 a –8,00 D e/ou um

comprimento axial maior que 26 a 26,5 mm

1,2

.

A

miopia patológica

caracteriza-se pelo estafi-

loma posterior, e está associada a complicações

maculares, como a neovascularização coroideia,

lacker craquers

, atrofia coriorretiniana, foveosqui-

sis macular, buraco macular com e sem desco-

lamento de retina.

A

foveosquisis

(ou retinosquisis foveal) foi

descrita em 1999 por Takano e Kishi após o

advento do OCT

3

. Em 2004 Panozzo e Mer-

canti

4

identificaram por OCT uma série de al-

terações em olhos com alta miopia e passa-

ram a usar o termo

maculopatia miópica

traccional

para se referirem a estas patologias

do polo posterior na alta miopia, tais como re-

tinosquisis macular, descolamentos maculares

sem buraco retiniano, buraco lamelar, buraco

macular com e sem descolamento de retina.

Posteriormente, em 2007 os mesmos autores

5

sugeriram que o termo até aí usado retinosquisis

não era apropriado, já que a esquisis não seria

uma verdadeira separação entre as camadas,

mas sim um espessamento provocado por ede-

ma; se fosse uma esquisis verdadeira levaria a

um escotoma absoluto, o que não acontece.

Nós pensamos que o termo, maculopatia miópi-

ca traccional tem uma implicação etiopatogénica

marcada. De facto a tracção parece ter uma im-

portância enorme na génese do problema, mas

a etiopatogenia das lesões não está ainda com-

pletamente esclarecida; por outro lado em ter-

mos de tratamento há algumas diferenças entre

as várias situações, pelo que iremos dividir a pa-

tologia da maculopatia miópica, em

foveosqui-

sis

e

buraco macular miópico.

Não falaremos

do descolamento de retina consecutivo a buraco

macular, característico dos altos míopes, porque

embora possa ter também um mecanismo co-

mum, é abordada geralmente nos capítulos refe-

rentes ao descolamento de retina.

A

etiopatogenia

da foveosquisis e do buraco

macular miópico, parece-nos no entanto co-

mum, parece ser um contínuo de situações, em

que uns doentes evoluem para foveosquisis, ou-

tros progridem para buraco lamelar ou completo

e outros ainda para descolamento da retina.

Foi com o aparecimento e desenvolvimento do

OCT que se começou a visualizar e a entender

melhor estas patologias; percebe-se hoje a im-

portância enorme da interface vítreo-retiniana,

a tracção antero-posterior do vítreo, a tracção

tangencial de restos de córtex vítreo e de mem-

branas epirretinianas, a elasticidade da limitante

interna, tudo isto provoca um efeito de tracção

sobre as camadas internas da retina, separan-

do-as das camadas externas, que acompanham

a esclera no progressivo alongamento do globo

ocular e desenvolvimento do estafiloma poste-

rior. Os próprios vasos retinianos também con-

tribuem para uma maior rigidez das camadas

internas

6,7

. Como se compreende todas estas

forças em conjunto podem levar à formação da

retinosquisis, ao aparecimento do buraco ou ao

descolamento de retina.

Capítulo 17.

O que é a maculopatia miópica traccional?

Rui Costa Pereira, Rui Martinho