Table of Contents Table of Contents
Previous Page  80 / 127 Next Page
Information
Show Menu
Previous Page 80 / 127 Next Page
Page Background

78

A interface vítreo-retiniana

AVM, TVM e BM

25 Perguntas e respostas

FOVEOSQUISIS

A foveosquisis miópica, surge em 8 a 34 % dos

olhos com miopia patológica

7

, caracteriza-se

pela retinosquisis com ou sem descolamento lo-

calizado; tipicamente aparece em mulheres altas

míopes, de meia ou idade avançada

1

.

Os doentes podem ser assintomáticos ou quei-

xarem-se fundamentalmente de metamorfopsias

ou baixa da acuidade visual; se desenvolvem um

buraco macular este dá origem a um escotoma

absoluto.

O exame do fundo ocular do alto míope é parti-

cularmente difícil. À biomicroscopia a foveosquisis

surge muitas vezes como um descolamento da

retina sem buraco macular. Mesmo recorrendo à

angiografia, ficavam por explicar situações de bai-

xa acuidade visual nestes doentes.

Com o aparecimento do OCT foi possível carac-

terizar esta situação nas suas variantes, interpretar

a sua fisiopatologia, e estabelecer o

timing

mais

adequado ao seu tratamento cirúrgico. A foveos-

quisis pode aparecer isolada, ou acompanhada

por outras alterações, nomeadamente o desco-

lamento foveal, MER, buraco macular, lamelar

ou completo, e, alterações dos fotorreceptores,

evidentes na linha de junção SE/SI. Na

foveos-

quisis

, o espessamento da retina em forma de

esquisis pode surgir na plexiforme externa ou na

plexiforme interna. O OCT mostra as células de

Muller distendidas originando “pontes” que unem

as camadas internas e externas da retina; a pre-

sença da linha de junção SE/SI sugere a preser-

vação da acuidade visual

6

. Em consequência da

tracção, podem surgir descolamentos da limitante

interna, que fica ligada à camada de Henle tam-

bém por numerosas pontes, e que, no limite da

esquisis, segue o seu trajecto sobre a superfície

retiniana (Figuras 1, 2, 3 e 4). Sinais de tracção são

também as pregas

8

, e os quistos ou pequenos

buracos retinianos, de localização paravascular

9

,

ou junto ao crescente miópico. Os vasos, inflexí-

veis e aderentes ao vítreo, estão sujeitos a tracção

levando à formação das referidas pregas, que no

OCT dão imagens em tenda, que se identificam

melhor nos cortes verticais

1

e no pós-operatório

1,9

.

TRATAMENTO

Observação e cirurgia

A evolução natural da foveosquisis não é favo-

rável nalguns estudos

1

; noutros a foveosqui-

sis parece mais estável quando isolada, e pior

quando se complica de descolamento foveal

ou buraco

10

. A vitrectomia via

pars plana

com a

pelagem da MLI é o tratamento mais aceite

11,12

.

Há no entanto relatos de resolução espontânea

sem cirurgia

13

. Não há portanto uma certeza de

quais os doentes a operar; a cirurgia não é isenta

de riscos e existe a possibilidade de ao fazer a

pelagem da MLI provocar um buraco

10

. Parece-

-nos portanto que doentes assintomáticos não

Figura 1.

Espessamento da retina em forma

de esquisis; “pontes” (

) que unem

as camadas internas e externas da

retina; descolamento da MLI (

);

micro pregas (

) retinianas em tenda.