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A interface vítreo-retiniana
AVM, TVM e BM
25 Perguntas e respostas
FOVEOSQUISIS
A foveosquisis miópica, surge em 8 a 34 % dos
olhos com miopia patológica
7
, caracteriza-se
pela retinosquisis com ou sem descolamento lo-
calizado; tipicamente aparece em mulheres altas
míopes, de meia ou idade avançada
1
.
Os doentes podem ser assintomáticos ou quei-
xarem-se fundamentalmente de metamorfopsias
ou baixa da acuidade visual; se desenvolvem um
buraco macular este dá origem a um escotoma
absoluto.
O exame do fundo ocular do alto míope é parti-
cularmente difícil. À biomicroscopia a foveosquisis
surge muitas vezes como um descolamento da
retina sem buraco macular. Mesmo recorrendo à
angiografia, ficavam por explicar situações de bai-
xa acuidade visual nestes doentes.
Com o aparecimento do OCT foi possível carac-
terizar esta situação nas suas variantes, interpretar
a sua fisiopatologia, e estabelecer o
timing
mais
adequado ao seu tratamento cirúrgico. A foveos-
quisis pode aparecer isolada, ou acompanhada
por outras alterações, nomeadamente o desco-
lamento foveal, MER, buraco macular, lamelar
ou completo, e, alterações dos fotorreceptores,
evidentes na linha de junção SE/SI. Na
foveos-
quisis
, o espessamento da retina em forma de
esquisis pode surgir na plexiforme externa ou na
plexiforme interna. O OCT mostra as células de
Muller distendidas originando “pontes” que unem
as camadas internas e externas da retina; a pre-
sença da linha de junção SE/SI sugere a preser-
vação da acuidade visual
6
. Em consequência da
tracção, podem surgir descolamentos da limitante
interna, que fica ligada à camada de Henle tam-
bém por numerosas pontes, e que, no limite da
esquisis, segue o seu trajecto sobre a superfície
retiniana (Figuras 1, 2, 3 e 4). Sinais de tracção são
também as pregas
8
, e os quistos ou pequenos
buracos retinianos, de localização paravascular
9
,
ou junto ao crescente miópico. Os vasos, inflexí-
veis e aderentes ao vítreo, estão sujeitos a tracção
levando à formação das referidas pregas, que no
OCT dão imagens em tenda, que se identificam
melhor nos cortes verticais
1
e no pós-operatório
1,9
.
TRATAMENTO
Observação e cirurgia
A evolução natural da foveosquisis não é favo-
rável nalguns estudos
1
; noutros a foveosqui-
sis parece mais estável quando isolada, e pior
quando se complica de descolamento foveal
ou buraco
10
. A vitrectomia via
pars plana
com a
pelagem da MLI é o tratamento mais aceite
11,12
.
Há no entanto relatos de resolução espontânea
sem cirurgia
13
. Não há portanto uma certeza de
quais os doentes a operar; a cirurgia não é isenta
de riscos e existe a possibilidade de ao fazer a
pelagem da MLI provocar um buraco
10
. Parece-
-nos portanto que doentes assintomáticos não
Figura 1.
Espessamento da retina em forma
de esquisis; “pontes” (
→
) que unem
as camadas internas e externas da
retina; descolamento da MLI (
→
);
micro pregas (
→
) retinianas em tenda.




