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A TVM pode ter um papel importante na evolu-

ção das oclusões venosas, sobretudo na res-

posta clínica do edema macular provocado por

esta alteração vascular.

Daí a importância de conhecer o estado da

interface vítreo-retiniana nas oclusões venosas

da retina.

As principais alterações venosas que podem

afectar a mácula são a Oclusão da veia central

da retina (OVCR) e a Oclusão venosa de ramo

(OVR).

ETIOPATOGENIA E FACTORES DE

RISCO

Julga-se que a principal causa para a OVCR

seja um síndrome compartimental. Num diâ-

metro de 1,5 mm coexistem veia e artéria

central da retina com fibras nervosas. Alte-

rações anatómicas, de volume e factores

sistémicos associados a risco cardiovascular

podem diminuir o lúmen venoso, produzindo

um fluxo turbulento propício à formação de

trombos.

Os principais factores de risco sistémi-

co são a hipertensão arterial, diabetes

mellitus, hipercolesterolémia e insuficiên-

cia carotídea. Nos doentes mais novos,

factores hemorreológicos também são

importantes.

Quanto aos factores locais há uma associa-

ção conhecida com o glaucoma de ângulo

aberto.

Relativamente à OVR o principal factor é local, e

está associado ao cruzamento artério-venoso.

Neste contexto a hipertensão arterial tem peso

preponderante, sobretudo quando origina, por

mau controlo, aumento da rigidez da parede

da artéria com consequente compromisso do

lúmen venoso por compressão directa

1

.

QUADRO CLÍNICO

Tanto a OVCR como a OVR cursam com

baixa da acuidade visual, que pode ir de

moderada a grave, sobretudo na OVCR. Na

OVCR depende muito do grau de compro-

misso venoso, e na de ramo depende do

local afectado e do grau de interferência na

anatomia da mácula.

Anatomicamente, as OVCR têm um

aspecto mais devastador, com hemorragias

nos quatro quadrantes, que podem ser so-

mente superficiais ou envolver todas as ca-

madas da retina. Observa-se tortuosidade e

edema das veias retinianas, edema do disco

óptico e edema macular. Raramente obser-

va-se hemovítreo. Nos casos considerados

angiograficamente isquémicos, pode surgir,

se não tratado, o conhecido glaucoma neo-

vascular entre o 3º e 5º mês (Figura 1).

Capítulo 18.

Que particularidades tem a tracção

vítreo-macular nas oclusões venosas?

Miguel Amaro