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Em 2013 um grupo de especialistas em
patologia vítreo-retiniana publicou uma nova
classificação das patologias relacionadas
com a interface vítreo-retiniana (Tabela 1).
Esta classificação surgiu após uma reflexão
sobre o conhecimento fisiopatológico
adquirido na interpretação destas patologias
pela tomografia de coerência óptica (OCT),
e principalmente das indicações apuradas
através do OCT para a vitreólise enzimática.
O objetivo desta classificação foi de simplificar
a interpretação dos achados clínicos, ser
adequada à prática clínica, e preditiva dos
resultados da cirurgia ou da terapêutica
farmacológica.
É desta Classificação
1
que versa o assunto
deste capítulo.
Na elaboração desta classificação, foram os
critérios anatómicos avaliados através do OCT,
em pelo menos uma imagem que permitiram a
definição da Adesão vítreo-macular, da Tracção
vítreo-macular ou dos Buracos maculares.
Contudo os autores recomendam que sejam
sempre apreciadas mais do que uma imagem,
porque só a observação de múltiplas linhas
ou do cubo inteiro, permitirá uma correcta
avaliação da área de adesão ou da dimensão
da lesão. Esta classificação veio substituir a
anterior Classificação de Gass (Tabela 2), que
era baseada na clínica sem OCT, e que dividia
os buracos maculares em 4 estadios
2,3
.
No caso da existência de tracção vítreo-
macular num olho e de buraco macular
no outro, pode falar-se de acordo com a
anterior terminologia de buraco macular
eminente (“impendig macular hole”). No
caso da divisão dos buracos maculares
pela dimensão da largura, este achado
tem significado terapêutico e prognóstico;
no caso dos buracos pequenos (
≤
250 µm),
é considerada a dimensão ideal para a
terapêutica por vitreólise enzimática, e
também de alta probabilidade de sucesso
por vitrectomia com ou sem extracção da
membrana limitante interna (MLI); buracos
maculares médios (>250 µm e
≤
400 µm)
têm também alta probabilidade de sucesso
por vitrectomia (associada a extracção
da MLI); buracos maculares grandes
(>400 µm), menor grau de sucesso de
encerramento mesmo com a vitrectomia
(associada a extracção da MLI
4,5,6
).
Esta classificação parece ser um excelente
instrumento de trabalho, mas é ainda
incompleta, porque não classifica as
membranas epirretinianas maculares, que
fazem parte da patologia da interface vítreo-
retiniana, e que poderão certamente no
futuro ser também classificadas através dos
achados do OCT, pela forma, pela espessura,
pelas alterações provocadas nas camadas
retinianas, que poderão ter valor prognóstico
anatómico e funcional.
Capítulo 1.
Qual a nova classificação da patologia
da interface vítreo-macular?
João Branco




