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A interface vítreo-retiniana

AVM, TVM e BM

25 Perguntas e respostas

INTERFACE VÍTREO-RETINIANA

A interface

1–4

entre o vítreo e os tecidos adjacen-

tes (cristalino, corpo ciliar e retina) é constituída

por um complexo formado pelas fibrilhas do cór-

tex vítreo e a lâmina basal dos respetivos tecidos,

no caso da retina, a membrana basal das células

de Muller -

membrana limitante interna (MLI).

Alguns trabalhos

8

demonstraram que as fibrilhas

de colagénio se dispõem paralelamente à MLI,

em vez de se inserirem perpendicularmente na

lâmina basal. Esta, na sua superfície voltada para

o vítreo (

lamina rara externa

) é composta por co-

lagénio tipo IV associado a glicoproteínas que,

segundo alguns estudos, apenas estariam pre-

sentes nos jovens, o que teria influência na dimi-

nuição da adesão vítreo-retiniana com a idade

3

.

A nível do disco óptico, a membrana basal da

astroglia -

membrana limitante de Elschnig,

apresenta uma espessura muito diminuída e é

composta apenas por glucosaminaglicanos,

o que poderia também explicar a frequência

com que surge migração celular e proliferação a

nível do disco óptico

1

.

A MLI apresenta algumas zonas de espessura

reduzida (base do vítreo, disco óptico, fóvea

e arcadas vasculares), mas é exactamente

nestas zonas, que se encontram os pontos de

maior aderência entre o vítreo e a retina. Para

além destas zonas, existem vários tipos de le-

sões da periferia da retina associadas a fortes

aderências vítreo-retinanas, nomeadamente a

degenerescência em paliçada, tufos neovas-

culares e cicatrizes corio-retinianas, que têm

um papel importante na evolução e possíveis

complicações do descolamento posterior do

vítreo (DPV), considerado o evento mais im-

portante da senescência do vítreo.

FISIOLOGIA DO VÍTREO

Papel do vítreo no aporte de oxigénio à

retina, cristalino e corpo ciliar

A fisiologia do vítreo

9–12

não é ainda bem co-

nhecida. Uma das principais funções do vítreo

está relacionada com a sua transparência, que

permite a transmissão da luz à retina de modo

a iniciar o processo visual. Para isso, o vítreo

possui uma baixa concentração celular e mo-

lecular, assim como propriedades bioquímicas

que inibem a migração e proliferação celular.

Pensa-se que as suas moléculas constituintes

se podem mover livremente devido a correntes

de difusão e convecção antero-posteriores,

mantidas também pelos efeitos das sacadas

oculares

11,13

. Sabe-se também que a sua PaO

2

é bastante baixa (30-40 mmHg), em compara-

ção com o ar (150 mmHg) e o sangue arterial

(100 mmHg), criando um ambiente hipóxico fa-

vorável ao cristalino

12

. O

core

vítreo é rico em

ácido ascórbico, factor importante na protec-

ção anti-oxidante

14

, ao promover a captação de

radicais livres e impedindo que estes atinjam a

cápsula posterior de cristalino com consequen-

te formação de catarata. Aquando do DPV ou

após uma vitrectomia via

pars plana

(VVPP)

15

, a

liquefacção vítrea ou a ausência de vítreo con-

dicionam alterações na dinâmica de fluidos na

cavidade vítrea com aumento do aporte de O

2

ao cristalino e modificação do normal gradiente

de oxigénio intraocular, aumentando o risco de

desenvolvimento de catarata

16

(Figura 1). A ex-

cepção seriam algumas patologias que cursam

com isquémia da retina - retinopatia diabética

ou oclusão venosa

9,10

.

DPV e sua importância fisiopatológica -

DPV anómalo

O processo de envelhecimento do vítreo (

syn-

chisis senilis

)

2,17–20

é consequência de altera-

ções químicas e estruturais da matriz vítrea

que envolvem a reorganização ou destruição

da malha colagénio-hialuronato com formação

de lacunas preenchidas por fluido (liquefac-

ção), inicialmente localizadas anteriormente à

mácula ou no centro da cavidade vítrea, mas

que, com o tempo, aumentam em volume e

número. Adicionalmente surge um enfraqueci-

mento progressivo das adesões entre o córtex

vítreo posterior e a MLI, possivelmente devido