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Capítulo 2. Qual a importância do vítreo na anatomia e fisiopatologia ao nível da interface?

ao espessamento da MLI que afecta a capa-

cidade das células de Muller em produzir e

manter os componentes da matriz extracelular

a nível da IVR. Finalmente, como resultado do

sinergismo destes processos ocorre o DPV.

A liquefacção vítrea pode surgir em idades

mais precoces se associada a várias pato-

logias que alteram o equilíbrio físico-químico

do vítreo, em especial a miopia, a inflamação,

a hemorragia, o traumatismo, a afaquia, as

doenças vasculares retinianas, os síndromes

vítreo-retinianos hereditários e as doenças do

colagénio. Também o declínio dos estrogénios

e consequente diminuição da produção de

ácido hialurónico em mulheres na menopau-

sa

21

tem sido responsabilizado pelo aumento

da frequência de DPV em mulheres, quando

comparadas com homens da mesma idade.

O vítreo e a sua interacção com a retina, particu-

larmente com a área macular, mas também com

a retina periférica e os vasos, tem sido conside-

rado importante na patologia de múltiplas entida-

des clínicas. Referimos, como mais relevantes,

as rasgaduras retinianas periféricas, o hemoví-

treo, o descolamento de retina regmatógeno, e

o síndrome de tracção vítreo-macular, implicado

na génese do edema macular quístico, membra-

na epirretiniana, buraco lamelar ou de espessura

total, pseudoburaco, edema macular diabético

traccional e maculopatia miópica

2,22

.

Quando a liquefacção não se acompanha da

deiscência da IVR, ocorre um DPV anómalo

23

.

Este inclui o DPV incompleto e a vitreosquisis,

na qual sucede a separação do córtex vítreo

posterior em duas camadas,

permanecendo

a camada mais posterior aderente à MLI (ver

capítulo DPV anómalo).

CONCLUSÃO

O vítreo tem um papel importante na homeos-

tasia da retina e cristalino sendo um elemento

fundamental na manutenção da transparência

dos meios ópticos, no olho saudável. O enve-

lhecimento do vítreo ou a presença de vários

factores de risco provocam ao nível do córtex

posterior e da MLI alterações dinâmicas que

causam o DPV, podendo condicionar disfun-

ção visual aguda ou crónica dependendo do

tempo de evolução e das forças de adesão

envolvidas

22

.

No entanto, nem sempre o DPV deve ser

considerado um acontecimento negativo,

pois em alguns casos é providencial, sendo

de realçar o seu papel protector na patolo-

gia vítreo-retiniana associada a algum grau

de isquémia, nomeadamente na retinopatia

diabética e oclusões venosas retinianas, as-

sim como na degenerescência macular da

idade

24,25

. Na verdade, bons resultados fun-

cionais e anatómicos têm sido reportados

após VVPP e em menor grau após um DPV,

uma vez que deixa de existir substrato para

a proliferação fibrovascular e ocorre uma re-

distribuição dos gradientes de O

2

na retina,

permitindo a oxigenação de áreas de retina

isquémica a partir de áreas de retina com

boa PaO

2

. O mesmo sucede com a difusão

de substâncias produzidas ao nível da retina

isquémica como o VEGF que, desta forma,

fica diluído, diminuindo a sua acção localiza-

da à mácula

12,26

.

Figura 1.

Influência do vítreo na oxigenação da retina e do

cristalino.

Distribuição do O

2

no olho normal e após DPV ou

VVPP.

Antes DPV

Após DPV ou Vitrectomia

PaO

2

PaO

2

Ascorbato+O

2

= dehidroascorbato+H

2

O Ascorbato+O

2

= dehidroascorbato+H

2

O

O

2

O

2

O

2

O

2

O

2