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INTRODUÇÃO

A ecografia oftálmica (ECO) é um exame ima-

giológico estrutural que avalia as propriedades

mecânicas dos tecidos, resultado da interac-

ção entre o som e as interfaces que encontra

durante a sua propagação. As imagens são

obtidas e analisadas em tempo real, apresen-

tam uma resolução axial entre 200 e 100 µm,

dependendo das sondas utilizadas (10 ou

20 MHz), o que permite estudar com bastante

detalhe as alterações à normal eco-estrutura

do vítreo, retina, coroideia e órbita anterior. A

sonda de 10 MHz é mais sensível na identifi-

cação de estruturas pouco reflectivas como é

o caso do vítreo e a sonda de 20 MHz, com

maior resolução, define melhor o complexo re-

tina-coroideia, o nervo óptico e os músculos

oculomotores

1

.

Não menos importante é o

exame

cinético

da interface vítreo-retiniana (IVR), que avalia

de uma forma dinâmica as interações que se

estabelecem entre estas estruturas oculares

durante e após o movimento dos olhos e/ou

cabeça, ultrapassando muitas vezes os dados

da observação clínica.

É, portanto, uma técnica indispensável na

avaliação oftalmológica, sobretudo quando

a opacidade dos meios não permite a ob-

servação do segmento posterior do globo

ocular, nem a execução de outros exames

como a tomografia de coerência óptica

(OCT), para estudar a IVR na área macular.

Por outro lado, o OCT apresenta algumas

limitações quando pretendemos avaliar o

vítreo no seu conjunto ou a IVR na perife-

ria, mesmo em condições de total trans-

parência dos meios. Aliás, vários estudos

comparativos entre a biomicroscopia (BM)

com lente de Goldmann, o OCT e a ECO,

no diagnóstico do descolamento posterior

do vítreo (DPV) têm demonstrado a supe-

rioridade desta última

2,3

particularmente

na deteção de um DPV completo em que

a hialoideia posterior (HP) está distanciada

da retina mais de 1000 µm, pelo que não é

visualizada no OCT ou na detecção de ade-

rências e tracção da retina periférica. Em

doentes com retinopatia diabética prolifera-

tiva (RDP) é fundamental para o diagnóstico

e estudo pré-operatório das complicações

mais frequentes, o hemovítreo (HV) e o des-

colamento de retina traccional

4-6

.

VÍTREO, INTERFACE VÍTREO-RETINIANA

E DESCOLAMENTO POSTERIOR

DO VÍTREO: CARACTERÍSTICAS

ECOGRÁFICAS

O vítreo

7,8

é a estrutura intraocular de maio-

res dimensões e com maior transparência,

o que dificulta a sua visualização. No en-

tanto, com a idade, ou mais precocemen-

te se associadas a miopia, inflamação ou

Capítulo 25.

Qual a importância da ecografia no estudo

da interface vítreo-retiniana?

Filomena Pinto