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que esta actividade clínica é incompatível com consulta de contra-relógio que

serve sobretudo para fazer números e assim, perpetuar um modelo de %nan-

ciamento hospitalar inadequado e ultrapassado, centrado no número de actos

praticados, perfeitamente incompatível com a gestão da doença crónica? Existe

um contrassenso pedindo-se ao médico que, em cada vez menos tempo, decida

sobre uma maior complexidade de meios e de recursos terapêuticos exponen-

cialmente mais dispendiosos e com um grau de conhecimento cientí%co mais

complexo.

Alguém dá ao médico o direito de errar ao tomar decisões de gestão desade-

quadas porque não teve oportunidade/tempo de avaliar o doente devido a esta

pressão da produção, de número de actos? Se a médio prazo se deve proceder

a um reajuste e modi%cação do modelo de %nanciamento hospitalar que per-

mita corrigir este “viés” é evidente

é urgente e imediato de(nir um número de

doentes/consultas por período de consulta, de tratamentos e de cirurgias que

permitam cuidar dos doentes com tempo para o doente

. Esse tempo deverá

ser de%nido de acordo com as diferentes sub-especialidades e com o consenso

e aval das entidades/associações cientí%cas que representam os médicos. Tudo

isto é mandatório se quisermos manter o nível de medicina de qualidade a que

temos estado habituados.

3 - SERÁ QUE O DOENTE ESTÁ NO CENTRO DESTE PROCESSO?

Os percursos do doente que tanto se fala, se analisados, fazem-nos lembrar

uma bola de bilhar. O doente anda, muitas vezes, entre a consulta e os exames

complementares de diagnóstico, entre sub-especialidades e tratamentos realiza-

dos de forma fragmentada, quando poderiam ser realizados no mesmo dia da

deslocação ao hospital. A chamada Consulta de Alta Resolução Diagnóstica e

Terapêutica.

A CONSULTA DE ALTA RESOLUÇÃO DIAGNÓSTICA (CARD) ou DIAG-

NÓSTICA E TERAPÊUTICA (CARDT) - permite prestar mais serviços no mes-

mo acto de consulta (na mesma deslocação ao hospital/serviço o doente tem

vários contactos com o médico, realiza os MCDT’s necessários para estudo

e planeamento da terapêutica e a informação obtida é registada em suporte

informático, é prestada a informação necessária à correcta obtenção do con-

sentimento informado) melhorando a resposta ao doente que é dada atempa-

damente, diminuindo o erro clínico resultante do atraso no tratamento, muitas

vezes irremediável, permite uma melhoria da qualidade com resultados em

saúde, mais amenidades,

compliance

e satisfação do doente

1,2

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