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Por isso, o laser na RD, passou a ser um procedimento de segunda opção. As
administrações não têm interesse no procedimento e deixaram de investir em
equipamentos laser ou nos novos laser. Por sua vez, o médico não é bem visto
a investir num tratamento desvalorizado. Resultado: passou-se a usar cada vez
mais os anti-VEGF que são de facto valorizados ao preço de uma cirurgia. E
aquilo que custava entre 100€ (que poderia eventualmente ser repetido 2 a
3x) e que, em muitos caos, resolvia o problema para a vida toda do doente, foi
substituído por um procedimento que custa em média ao hospital 1495,01€,
e tem quer se repetido várias vezes e ao longo dos anos. Mais ainda, hoje
começam a rarear os médicos oftalmologistas com competências técnicas para
realizar o laser e mais facilmente a opção passa por colocar a indicação para
que se proceda a uma injecção intra-vítrea.
Mas ainda não acabámos a narrativa. Como as injecções na mesma portaria
têm o valor de 50,02€
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, (intervenção médica e “
facilities
do hospital”), não será
de admirar que, daqui a algum tempo, (quando deixar de ser paga como o é
actualmente, como uma cirurgia, ao valor médio de 1495,1€, uma forma envie-
sada por incluir o preço do fármaco) as administrações hospitalares achem que
este tratamento também não tem valor e queiram impedir os médicos de o reali-
zarem. Assim, passar-se-á a pagar unicamente o custo do fármaco das injecções
intra-vítreas e a valorizar somente a inovação farmacológica e todo o
know how
médico deixará de ter qualquer valor.
8 - É UM ERRO GROSSEIRO DE GESTÃO NÃO VALORIZAR AQUILO QUE
TEMVALOR
É um erro grosseiro de gestão não valorizar aquilo que tem valor. E o valor
está na diferenciação e na sub-especialização necessárias para realizar alguns
procedimentos, nomeadamente a terapêutica laser da Retinopatia Diabética. Está
também valor no planeamento das injecções intra-vítreas e na parte técnica do
acto médico, como procedimento com mais valia incorporada.
A consulta geral é diferente de uma técnica especí%ca ou um tratamento laser
que, para ser bem realizado obriga a um investimento numa sub-especialização
durante a vida clínica. Esta situação tem como consequência o desinvestimento
na diferenciação técnica por parte dos médicos. Mas, sobretudo o desinvesti-
mento por parte da gestão local das instituições, pois é mais favorável para a
instituição fazer consulta de primeira vez, do que realizar um tratamento laser a
um doente diabético.
Com laser a 100€ por procedimento, em vez de 31,1€ actuais, de acordo com
a portaria, pode-se alavancar e valorizar um tratamento que, fruto da sua desva-
lorização injusti%cada, está a ser secundarizado com consequências nefastas em
termos de e%ciência e resultados.




