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Como tratar o EMD crónico?

Filipe Mira, Angelina Meireles, João Figueira

A de%nição de edema macular (EM) crónico não é consensual entre os diver-

sos autores. Alguns de%nem-no como EM com evolução temporal superior a 12

meses

1,2

, refratário a vários tratamentos prévios, enquanto outros argumentam

uma evolução temporal superior a 6 meses

3

. Existem também os que estabele-

cem limites de espessura central da retina no OCT como critérios de cronicidade

para além da evolução temporal

4

.

Provavelmente esta de%nição deveria ter em conta aspetos funcionais como

acuidade visual (AV) e microperimetria, anatómicos (alteração da linha elipsói-

de, membrana limitante externa, focos hiperre`ectivos intraretinianos, desorga-

nização das camadas internas da retina, presença de `uído intra e sub-retiniano

no OCT), bem como o historial de tratamento.

A de%nição atualmente mais aceite será a de EM com duração superior a 12

meses que apresenta uma resposta insu%ciente ao tratamento prévio, incluindo

três ou mais injeções de anti-VEGF nos últimos 6 meses

2

.

No caso do EM secundário à diabetes (EMD), a %siopatologia das formas cró-

nicas é diferente dos EMD mais recentes, uma vez que nas fases mais iniciais da

doença existe preferencialmente um excesso de mediadores que alteram a per-

meabilidade vascular, como o VEGF, ao passo que nas fases tardias, existe uma

maior preponderância dos mecanismos in`amatórios

5

. Face a estes pressupostos

a sua abordagem terapêutica poderá ser diferente.

Apesar do que se conhece da %siopatologia, existe evidência clínica na uti-

lização dos anti-VEGF no EMD crónico como se constatou no estudo RISE e

RIDE

6

. Os doentes do grupo controlo, tratados apenas com laser, receberam

ranibizumab ao %nal de 2 anos, veri%cando-se ganhos de AV, sem no entanto

terem atingido a AV dos olhos tratados desde o início do estudo com ranibizu-

mab, o que demonstra que o tratamento demasiado tardio limita a recuperação

funcional.

Outros estudos também demostraram o benefício dos anti-VEGF nesta fase

da doença, sobretudo em doentes não respondedores a outros tratamentos

6

.

Klein

et al.

3

avaliaram o efeito do

switch

para a`ibercept em doentes com EMD

crónico não respondedores a terapêutica prévia e veri%caram melhoria anató-

mica e funcional nestes doentes. Fechter

et al.

7

demonstraram também a e%cá-

cia do ranibizumab em doentes tratados previamente com bevacizumab. Uma