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Qual a influência da cirurgia de catarata

no EMD?

Lilianne Duarte, Belmira Beltrán

A cirurgia de catarata é o procedimento cirúrgico oftalmológico mais fre-

quente e com melhor prognóstico visual

1

.

Em doentes com Diabetes Mellitus (DM) há uma maior incidência de cata-

rata e o seu desenvolvimento é mais precoce. Estes doentes têm também um

pior resultado visual após cirurgia de catarata

1-5

. Vários estudos publicados têm

demonstrado que existe um risco acrescido (de 31% a 81%) de aparecimento

ou agravamento de edema macular em doentes diabéticos sem ou com retino-

patia diabética submetidos a cirurgia de catarata

6-9

.

No passado a cirurgia de catarata por técnica de extração extracapsular

estava associada a um maior risco de desenvolvimento do edema macular

diabético (EMD) ou ao agravamento da retinopatia diabética

5,10,11

. A evolução

da cirurgia por facoemulsi%cação e colocação de lente intraocular no saco

capsular (FACO+LIO) tornou este procedimento mais seguro, mais rápido e

menos invasivo. Apesar da diminuição das complicações pós-operatórias com

o advento da FACO, a síndrome de Irvine-Gass com Edema macular cistóide

(EMC),pode ocorrer em alguma percentagem de doentes devido ao aumento da

permeabilidade capilar pela libertação de mediadores pró-in`amatórios (por

ex. prostaglandinas) e indutores do aumento da permeabilidade vascular (por

ex. VEGF) durante o trauma cirúrgico. No doente diabético, em que a barreira

hematorretiniana está alterada, estes factores propiciam o risco aumentado de

edema macular

8,12

.

De acordo com o

DRCR.net

(Protocolos P e Q) o risco é maior em doen-

tes com história prévia de edema macular com ou sem tratamento

13

e princi-

palmente em casos de Edema Macular Clinicamente Signi%cativo (EMCS)

12,14

.

No trabalho do

DRCR.net,

com base na Tomogra%a Ótica de Coerência (OCT)

e Angiogra%a Fluoresceínica (AF) categorizaram três tipos de edema macular:

EMD isolado (em 44%), combinação de EMD com EMC (em 42%), e EMC

isolado (em 14%). Apesar de o EMC isolado ser menos frequente nos doentes

diabéticos do que as outras formas, tem mesmo assim uma incidência maior do

que na população não diabética (1%). O diagnóstico diferencial entre o EMD

e o EMC nem sempre é fácil, principalmente devido à elevada frequência das

formas mistas, e é feito com base nos achados do OCT e AF

13,15,16

. O EMC ou