Table of Contents Table of Contents
Previous Page  101 / 144 Next Page
Information
Show Menu
Previous Page 101 / 144 Next Page
Page Background

101

18

Como diagnosticar e tratar o EMD na grávida e

na criança?

João Chibante Pedro

O diagnóstico de retinopatia diabética (RD) requer a combinação de uma

observação clínica cuidada e de meios complementares de diagnóstico de ima-

gem adequados.

A observação deve ser realizada com dilatação pupilar, usando oftalmoscopia

indireta, ou preferencialmente, através de lâmpada de fenda com interposição de

lente de contacto ou de não contacto, sem restrições nestes dois tipos de doentes.

As duas técnicas de imagem usualmente utilizadas no diagnóstico do edema

macular diabético (EMD) são o

Optical Coherence Tomography

(OCT), que no

caso das grávidas, não há qualquer limitação no seu uso e no caso das crianças

estará dependente da colaboração destas, mas atendendo a que raramente existe

RD abaixo dos 10 anos

1

, independentemente da duração da DM, este exame

poderá ser realizado na grande maioria dos doentes em idade pediátrica. A `uo-

resceína usada na angiogra%a `uoresceínica (AF) não foi relacionada com efeitos

teratogénicos, contudo deverá ser evitada no primeiro trimestre, a não ser que

seja estritamente necessária. O seu uso na população pediátrica estará novamen-

te dependente da sua colaboração.

TRATAMENTO DO EMD NA GRÁVIDA

O plano de vigilância deverá idealmente iniciar-se com uma observação pré-

via à conceção, e se não revelar RD, bastará uma consulta trimestral. Se nessa

consulta inicial houver lesões de RD a grávida deverá ser reavaliada mensal-

mente, ou antes, em função da gravidade da RD e dos seus fatores de risco de

progressão, sendo muitas vezes necessário antecipar o tratamento para antes da

conceção

2,3

.

Na grávida há um maior risco de desenvolvimento e de progressão da RD

2,3,4

,

que se agrava com os seguintes fatores

4

: a própria gravidez, o controlo glicémi-

co prévio e durante a gravidez (nomeadamente a queda abrupta da HbA1c), a

duração da DM, a RD pré existente, a tensão arterial sistólica, a nefropatia e a

pré-eclampsia, pelo que o bom controlo metabólico dos fatores controláveis

torna-se pedra basilar do tratamento destas doentes.