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Qual a inter-relação entre o glaucoma e o EMD?
Cláudia Farinha, Rufino Silva, Carlos Marques Neves
A diabetes mellitus (DM) e o glaucoma apresentam alguns fatores comuns nos
mecanismos vasculares cujo racional permite levantar a questão da possibilidade
de existência de correlação positiva entre ambos. No entanto, quer estudos epide-
miológicos, quer estudos observacionais e/ou retrospetivos, têm falhado a evidên-
cia cientí%ca de%nitiva da sua correlação. Esta evidência é não conclusiva mesmo
em estudos de meta-análise, como descrito por Yih-Chung e colaboradores em
2017
1
. O principal fator de não concordância positiva ou neutra é a existência de
múltiplos vieses, nos elementos estudados.
A associação entre DM, retinopatia diabética (RD) e glaucoma, foi avaliada
também num estudo de coorte retrospetivo num período de 16 anos, em cerca de
6,3 milhões de habitantes na Dinamarca. A incidência do diagnóstico de glauco-
ma de
novo
foi de 0,07 por 1000 habitantes/ano na população, sendo de 36 por
1000/ano em doentes também com DM. Os doentes diabéticos apresentaram um
risco 2 vezes maior para desenvolvimento de glaucoma. Além disso, a presença
de RD sozinha ou em combinação com nefropatia diabética, também se associou
a risco aumentado de glaucoma. Segundo estes autores existe portanto uma forte
associação entre DM, RD e a incidência de glaucoma
2
.
Por outro lado, a inter-relação entre o edema macular diabético (EMD) e o
glaucoma não é imediata. No entanto é importante lembrar que os tratamentos
atualmente utilizados como primeira e segunda linha no EMD podem ter in`uên-
cia na pressão intraocular (PIO), tanto a curto como médio e longo prazo, e como
tal os seus efeitos não devem ser menosprezados, em especial se estamos perante
um doente já com diagnóstico de glaucoma prévio.
O efeito dos anti-angiogénicos (anti-VEGF) na PIO tem sido, nos últimos anos,
alvo de estudos que comprovam que parece existir um efeito cumulativo hiperten-
sivo após várias injeções de anti-VEGF
3,4
. Uma análise
post hoc
dos estudos MARI-
NA e ANCHOR para a DMI, revelou que 2,1% e 3,6% dos olhos, respetivamente,
aumentaram em média 6 mmHg, atingindo valores de 25 mmHg ou superior em
pelo menos duas visitas consecutivas durante 2 anos de
follow-up
, quando com-
parados com 0,4% e 0,0%, nos grupos controlo
5
. Resultados semelhantes foram
reportados noutros estudos em doentes com DMI sem história conhecida de glau-
coma ou hipertensão ocular (HTIO). Estes efeitos sobre a PIO foram ainda mais
prevalentes em doentes com glaucoma pré-existente
4-6
. Na população Canadiana,




