113
Nelson
et al.
descrevem que analisando a espessura macular central com o
OCT após cirurgia de catarata há um aumento estatisticamente signi%cativo até
3 meses após a cirurgia, mesmo em doentes sem edema macular
15
.
Existem algumas particularidades a ter em conta na preparação do doente
diabético antes da cirurgia, como seja o controlo metabólico com redução dos
valores da HbA1c para valores inferiores a 7% de forma progressiva, controlo
dos valores tensionais (<130/80mmHg) e controlo dos valores do colesterol e
triglicéridos.
No procedimento cirúrgico e para facilitar a fotocoagulação LASER ou na
eventualidade de uma cirurgia de vitrectomia posterior
via pars plana
(VVPP)
no futuro, devemos realizar uma capsulorrexis circular contínua grande, para
evitar a contração da capsulorrexis anterior. É aconselhável a colocação de uma
LIO de grande ótica, acrílica e evitar o uso de lentes de silicone
11,12
. E como em
todos os pacientes com patologia macular não está aconselhado o uso de lentes
intraoculares multifocais ou difrativas. A técnica deve ser feita com o mínimo
de traumatismo possível, sendo aconselhável o polimento da cápsula posterior
para evitar opaci%cação da mesma, já que esta intercorrência é mais frequente
nos doentes diabéticos e o LASER YAG para o tratamento da opacidade da cáp-
sula posterior está associado a maior risco de edema macular.
Relativamente à pro%laxia para prevenir o EMD, a aplicação tópica de um
AINE (anti-in`amatório não esteróide) pré-operatoriamente está aconselhada.
O Nepafenac é o único aprovado pela EMA (European Medicines Agency) para
a prevenção do EM nos diabéticos, e recentemente foi demonstrado o efeito
preventivo com a aplicação durante os 3 meses após a cirurgia
17-19
.
Nos doentes com RDNP e já com EMD, sempre que possível deve-se tratar
tanto a RD como o EMD previamente à cirurgia de catarata
20
. Se pela opaci-
dade do cristalino não for possível visualizar e tratar a retinopatia diabética e/
ou o edema macular, preconiza-se a associação ao tratamento cirúrgico de
injeção intravítrea de anti-VEGF ou corticóides. Quando evidenciada a presen-
ça de tração vítreo-macular (TVM) identi%cada por OCT, a cirurgia combinada
de FACO+LIO e VVPP associada à utilização peri-operatória de anti-VEGF ou
corticosteróides está indicada. Alguns estudos demonstraram o benefício da
cirurgia de catarata combinada com injeção intraoperatória de fármacos anti-
-VEGF ou corticosteróides em doentes com retinopatia diabética mesmo sem
envolvimento central, com uma melhor recuperação visual no pós-operatório
imediato por redução da espessura macular central
13,20-22
(Esquema1).
Mais estudos são importantes para estabelecer orientações clínicas mais
precisas no tratamento do EMD associado à cirurgia de catarata.




