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38,4%

10

. A necessidade de cirurgia %ltrante foi, no entanto de 4,8% aos 3 anos.

Algumas razões apontadas para a diferença entre os dois corticóides é o facto de

ativarem diferentes padrões de expressão genética nas células da malha trabecu-

lar e o facto de o implante de `uocinolona ser mais lipofílico e acumular-se mais

no trabéculo

9

.

Outra questão é o aumento imediato da PIO que a injeção intra-vítrea em si

acarreta, e que assume especial importância no doente com glaucoma pelo dano

extra que pode causar sobre %bras nervosas já comprometidas pela patologia glau-

comatosa. Foi já demonstrado que após a administração intra-vítrea de anti-VEGF

existe uma subida aguda da PIO, e que esta compromete o `uxo sanguíneo da

retina justa-papilar e do nervo ótico. Após injeção intra-vítrea de ranibizumab, por

exemplo, a PIO aumenta na primeira hora após a administração (18% dos casos

acima de 30 mmHg), sendo que em 60 minutos a PIO tende a normalizar para

valores próximos do

baseline

11

. Além do aumento da PIO, a pressão de perfusão

ocular (que será uma medida mais adequada da perfusão do nervo ótico) também

diminui signi%cativamente imediatamente após a injeção

11

. Em indivíduos sem

outras comorbilidades oculares estas alterações são transitórias e parecem não

acarretar risco signi%cativo, no entanto em doentes com glaucoma, em que os

mecanismos de regulação da PIO estão comprometidos, a normalização da PIO

pode demorar mais e estes efeitos podem ser deletérios

5

. Embora o impacto destas

variações em doentes com glaucoma não tenha sido ainda alvo de estudos, foi

já demonstrado que variações abruptas na PIO após cirurgia de catarata podem

levar ao agravamento dos campos visuais neste grupo de doentes

5

. Alguns autores

sugerem assim o tratamento pro%lático com anti-hipertensores oculares por forma

a evitar o pico tensional pós-injeção em doentes com glaucoma ou hipertensão

ocular

5,12,13

.

Por %m, vale a pena abordar o doente com rubeose da íris com ou sem glau-

coma neovascular. Neste grupo de doentes o tratamento formal da retinopatia

proliferativa associada é a fotocoagulação panretiniana, no entanto vários estudos

mostram que a utilização prévia ou concomitante de anti-VEGF intra-vítreo pode

auxiliar na redução rápida da neovascularização a nível do ângulo camerular e íris

e, consequentemente, da PIO se o ângulo ainda não estiver encerrado por siné-

quias periféricas anteriores. O laser tem uma atuação mais lenta no controlo do

processo neovascular, e muitas vezes não atua su%cientemente rápido em doentes

com doença rapidamente progressiva, com consequente perda funcional irreversí-

vel

14,15

. O Protocolo S já demonstrou aliás que o tratamento com anti-VEGF é não

inferior à fotocoagulação panretiniana a dois anos na retinopatia diabética prolife-

rativa, e o estudo CLARITY recentemente publicado veio reforçar estes resultados,

especialmente em doentes com EMD concomitante

16,17

. No entanto é importante

recordar que nestes doentes procedimentos adicionais, como a paracentese da

câmara anterior, podem ser necessários para evitar a subida excessiva da PIO e

dano adicional do nervo ótico

14,15

.