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PERGUNTAS & RESPOSTAS

EMD

- Edema Macular Diabético

numa análise epidemiológica entre 2009 e 2013, em doentes que receberam inje-

ções intra-vítreas de bevacizumab por DMI, Eadie

et al.

reportaram que a realiza-

ção de 7 ou mais injeções anualmente estava associada a um risco mais elevado

de cirurgia anti-glaucomatosa

7

. Em doentes com EMD tratados com anti-VEGF não

existiam até recentemente estudos sobre este tema, no entanto em 2015 Bressler S,

et al.

publicou uma análise

ad hoc

do Protocolo I do

DRCR.net

que veio demons-

trar a existência desta relação também no tratamento do EMD

8

. PIO superior a

22 mmHg e com aumento >6 mmHg em duas visitas consecutivas em relação ao

baseline

, ou necessidade de iniciar/ aumentar tratamentos anti-hipertensores far-

macológicos ou cirúrgicos foram considerados

outcomes

a 3 anos nesta análise. A

probabilidade cumulativa de os atingir aos 3 anos foi signi%cativamente diferente

entre os dois grupos - grupo controlo

vs

grupo ranibizumab com laser diferido/

concomitante - 3,4% e 9,5%, respetivamente. Isto traduziu-se num risco global

de 6% aos 3 anos para doentes em tratamento com ranibizumab, embora com

intervalos de con%ança grandes. O número de injeções não se correlacionou, no

entanto com o risco de aumento da PIO. De facto, a pato%siologia associada ao

aumento da PIO após tratamento de longo-prazo com anti-VEGF ainda não é bem

conhecida, mas existem algumas hipóteses como o desenvolvimento de obstru-

ção ou resistência permanente de saída do humor aquoso por lesão no trabéculo

após vários picos de hipertensão ocular aquando das injeções intra-vítreas; efeito

farmacotóxico direto; ou trabeculite crónica

4,5

. Yanuzzi N.

et al

, reportou também

que uma técnica de injeção rápida (<1 segundo) e com volumes um pouco acima

de 0,05 ml estava associada a um risco 5 vezes superior de desenvolver HTIO

persistente, por maior pico tensional e possivelmente maior trauma crónico do

trabéculo

3

. As causas para este fenómeno são assim, provavelmente, multifatoriais.

Independentemente do mecanismo pato%siológico, é hoje globalmente aceite que

doentes que estejam a fazer tratamento crónico com anti-VEGF devem ser regular-

mente monitorizados para a PIO e atitudes terapêuticas devem ser implementadas

quando necessário por forma a preservar a função visual do doente, e em especial

se estivermos perante um doente já com diagnóstico de glaucoma

8

.

Em relação ao tratamento do EMD com corticosteróides intra-vítreos, como

é o caso dos implantes de dexametasona e de `uocinolona, os seus efeitos sobre

a PIO são já mais conhecidos e estudados, e parecem prender-se com o efeito

do corticóide sobre a malha trabecular, embora o mecanismo exato ainda seja

alvo de debate. Em relação ao implante de dexametasona, a análise a 3 anos

do estudo MEAD mostrou aumento da PIO ≥10 mmHg em 27,7% dos casos,

com instituição de medicação anti-hipertensora em 41,5%, mas necessidade de

cirurgia em apenas 0,3% dos casos. O pico máximo de HTIO ocorre por norma

durante o segundo mês e no primeiro ano, e não parece haver um efeito cumu-

lativo de várias injeções sobre a PIO, com um per%l de PIO semelhante entre

as várias injeções

9

. O implante de `uocinolona mostrou efeitos semelhantes no

estudo FAME: 37,1% desenvolveram HTIO, com necessidade de medicação em