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Qual o papel da genética no EMD?

Lilianne Duarte, João Branco

Sabe-se que o desenvolvimento do edema macular diabético está associado a

vários fatores oculares e sistémicos bem conhecidos. O papel da genética no risco

tem vindo a ser pesquisado por alguns autores. Alguns estudos têm demonstrado

uma maior propensão na raça negra e hispânicos ao desenvolvimento do edema

macular, quando eliminados os outros fatores de risco

1-3

. Essa predisposição pode-

rá ser justi%cada por características genéticas especí%cas.

Estudos clínicos analisando padrões de retinopatia diabética e o

turnover

dos

microaneurismas identi%caram pelo menos três tipos de padrões de retinopatia

diabética com riscos diferentes para a progressão para doença avançada, isquémi-

ca e edema macular, o que sugere poder haver um padrão genético envolvido

4-7

.

Alguns polimor%smos genéticos podem levar a uma maior probabilidade

genética, como fator não modi%cável, de desenvolver edema macular na diabetes.

Foi associado um maior risco em doentes apresentando o polimor%smo C-634G

do VEGF envolvido nas alterações de permeabilidade vascular, bem como do

polimor%smo do gene da enzima oxido-nítrico-endotelial-sintase levando a uma

alteração da expressão da enzima com afetação da barreira hematorretiniana

8,9

.

Apesar de não haver muitos estudos de larga escala de genoma (GWAS: geno-

me-wide association studies) para associação à diabetes, a maior parte da infor-

mação que se tem a nível genético está diretamente relacionada com a diabetes

como doença sistémica e seus subtipos, nomeadamente tipo 1 e 2. Cerca de 60

loci

foram identi%cados na diabetes tipo 2

10,11

.

Numa revisão aos estudos publicados sobre a genética na retinopatia diabéti-

ca, veri%cou-se que aumentava a probabilidade de hereditariedade em função da

maior severidade da doença

12

.

Hernandez

et al.

, num estudo piloto identi%caram, por análise proteómica

do vítreo, quatro proteínas particularmente alteradas comparativamente ao grupo

controlo: hemopexina, beta cristalina S, clusterina e transtiretina, onde a primeira

estava muito elevada e as outras diminuídas

13

.

O edema macular diabético resulta de uma multiplicidade de fatores, vários

deles controláveis como o controle metabólico, hipertensão arterial, alimentação

e obesidade, mas alguns determinantes genéticos podem aumentar o risco ou

propensão para o seu desenvolvimento. Provavelmente mutações e polimor%s-

mos nos genes dos fatores envolvidos no processo da patogénese do próprio