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Qual a importância do OCT angio no EMD?

Cláudia Farinha, João Figueira, Rufino Silva

A introdução do OCT angio, ou OCTA, permitiu pela primeira vez a obser-

vação detalhada do `uxo sanguíneo das diferentes redes vasculares da retina e

coróide sem necessidade de administração de contraste. Além disso, o OCTA

veio permitir a observação claramente individualizada dos plexos super%cial e

profundo da retina a nível macular, com um detalhe até agora inexistente. A

separação dos diferentes plexos capilares é algo que, por exemplo, não é possível

com a angiogra%a `uoresceínica (AF). A AF tem sido ao longo dos anos funda-

mental no diagnóstico e orientação terapêutica de doentes com retinopatia dia-

bética (RD) com ou sem edema macular diabético (EMD), no entanto, este é um

meio de diagnóstico invasivo que deve ser realizado com cuidado neste grupo

de doentes, uma vez que doentes com RD mais avançada tendem a ter patologia

crónica grave como insu%ciência renal ou doença cardiovascular subclínica

1,2

. A

grande vantagem do OCTA reside assim no facto de, de uma forma não invasiva,

permitir a obtenção de imagens do `uxo sanguíneo da retina e coróide e, acima

de tudo, a segmentação e estrati%cação dos diferentes plexos vasculares de uma

forma tridimensional. Este facto permite a obtenção e análise simples de imagens

en face

dos diferentes plexos vasculares da retina, e análise simultânea do B-scan

convencional

1,2

.

A análise de olhos com retinopatia diabética por OCTA revelou que esta tec-

nologia permite avaliar mais facilmente as alterações microvasculares, nomea-

damente a presença e desenvolvimento de vasos telangiectásicos, de

loops

e

tortuosidade capilar, de

intraretinal vascular abnormalities

(IRMAs), e de ampu-

tação e

dropout

capilar, ou seja de áreas de isquémia capilar macular

2,4

(Figura

1). Os microaneurismas são detetados pelo OCTA, embora de forma menos con-

sistente quando comparado com a AF, numa taxa de cerca de 62,0%. Tal sucede

por, provavelmente, apresentarem um `uxo demasiado lento ou turbulento, e

portanto fora dos limiares de deteção do OCTA

2,5

. Quando detetados, os microa-

neurismas são observados como dilatações saculares ou fusiformes dos capilares,

estão presentes em ambos os plexos retinianos, embora em maior quantidade

no profundo, e geralmente localizam-se em redor das áreas de dropout capilar

1

(Figura 2). Um estudo recente por Hasegawa N.

et al

demonstrou ainda que a

densidade e distribuição de microaneurismas no plexo profundo se correlacio-

nou com a área de EMD e, nomeadamente, com a presença de edema macular