59
10
Qual o papel da coroideia no EMD?
Lilianne Duarte, Marta Vila Franca, Diogo Cabral, João Nascimento
Desde a descrição de Cunha-Vaz1 das barreiras hematorretinianas e suas
implicações na %siopatologia das doenças da retina, vários estudos têm tentado
identi%car as alterações na coróide na doença diabética (coroidopatia diabética)
e relação com a retinopatia diabética.
A coróide é a porção da túnica vascular média do globo ocular situada entre
a retina e a
lamina fusca
, posteriormente à
ora serrata
2
. Histologicamente, é
constituída por vasos sanguíneos, tecido conjuntivo laxo, melanócitos e neu-
rónios coroideus. A organização dos vasos sanguíneos, provenientes da divisão
das artérias ciliares curtas, permitiu uma divisão empírica da coróide em três
camadas vasculares de diâmetro sucessivamente menor, da esclera para a retina:
Haller (vasos grandes), Sattler (vasos médios) e coriocapilar (vasos pequenos)
3
.
Na coriocapilar, o lúmen vascular é discretamente superior ao de um capilar
típico, o que torna difícil a individualização dos capilares entre si em estudos
imagiológicos do polo posterior. A principal função %siológica da coróide é pro-
ver oxigénio e nutrientes às camadas externas da retina, muito em particular
às regiões de elevada atividade metabólica, como a região foveal central. Por
sua vez, a vitalidade e fenestrações da coriocapilar dependem da secreção ati-
va de VEGF (vascular endothelial growth factor) pelo epitélio pigmentado da
retina (EPR)
2
. Este mutualismo retina externa/coriocapilar leva alguns autores
a considerarem-nas uma unidade
tapetoretinana
4
. Assim, seria expectável que
alterações patológicas da retina externa estejam frequentemente associadas a
alterações ao nível da coróide. Contudo, compreender se as alterações encontra-
das são primárias ou secundárias é um dos grandes desa%os atuais.
Estudos histológicos identi%caram várias alterações que ocorrem na corói-
de do diabético, semelhantes às encontradas na retina como: espessamento da
membrana basal dos vasos, estreitamento ou isquémia da coriocapilar, remo-
delação vascular com tortuosidade e ansas, aneurismas e neovascularização
coroideia
4-10
.
Os exames angiográ%cos com Verde de Indocianina mostram atraso no
preenchimento vascular, hipocianescência lobular e evidência de microaneu-
rismas
11,12
, e na `uxometria por laser doppler foi demonstrada uma redução do
`uxo e volume sanguíneo da coróide em doentes com retinopatia diabética não
proliferativa e proliferativa
13
. A camada vascular mais frequentemente envolvida




