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Qual o papel da coroideia no EMD?

Lilianne Duarte, Marta Vila Franca, Diogo Cabral, João Nascimento

Desde a descrição de Cunha-Vaz1 das barreiras hematorretinianas e suas

implicações na %siopatologia das doenças da retina, vários estudos têm tentado

identi%car as alterações na coróide na doença diabética (coroidopatia diabética)

e relação com a retinopatia diabética.

A coróide é a porção da túnica vascular média do globo ocular situada entre

a retina e a

lamina fusca

, posteriormente à

ora serrata

2

. Histologicamente, é

constituída por vasos sanguíneos, tecido conjuntivo laxo, melanócitos e neu-

rónios coroideus. A organização dos vasos sanguíneos, provenientes da divisão

das artérias ciliares curtas, permitiu uma divisão empírica da coróide em três

camadas vasculares de diâmetro sucessivamente menor, da esclera para a retina:

Haller (vasos grandes), Sattler (vasos médios) e coriocapilar (vasos pequenos)

3

.

Na coriocapilar, o lúmen vascular é discretamente superior ao de um capilar

típico, o que torna difícil a individualização dos capilares entre si em estudos

imagiológicos do polo posterior. A principal função %siológica da coróide é pro-

ver oxigénio e nutrientes às camadas externas da retina, muito em particular

às regiões de elevada atividade metabólica, como a região foveal central. Por

sua vez, a vitalidade e fenestrações da coriocapilar dependem da secreção ati-

va de VEGF (vascular endothelial growth factor) pelo epitélio pigmentado da

retina (EPR)

2

. Este mutualismo retina externa/coriocapilar leva alguns autores

a considerarem-nas uma unidade

tapetoretinana

4

. Assim, seria expectável que

alterações patológicas da retina externa estejam frequentemente associadas a

alterações ao nível da coróide. Contudo, compreender se as alterações encontra-

das são primárias ou secundárias é um dos grandes desa%os atuais.

Estudos histológicos identi%caram várias alterações que ocorrem na corói-

de do diabético, semelhantes às encontradas na retina como: espessamento da

membrana basal dos vasos, estreitamento ou isquémia da coriocapilar, remo-

delação vascular com tortuosidade e ansas, aneurismas e neovascularização

coroideia

4-10

.

Os exames angiográ%cos com Verde de Indocianina mostram atraso no

preenchimento vascular, hipocianescência lobular e evidência de microaneu-

rismas

11,12

, e na `uxometria por laser doppler foi demonstrada uma redução do

`uxo e volume sanguíneo da coróide em doentes com retinopatia diabética não

proliferativa e proliferativa

13

. A camada vascular mais frequentemente envolvida