Table of Contents Table of Contents
Previous Page  115 / 127 Next Page
Information
Show Menu
Previous Page 115 / 127 Next Page
Page Background

113

Com o aparecimento da tomografia de coe-

rência óptica (OCT), o papel da angiografia

no diagnóstico da patologia da interface foi,

como é óbvio, relegado para um segundo

plano. Nos casos primários ou idiopáticos

dos distúrbios da interface, a etiopatogé-

nese não depende primariamente da retina,

coróide ou epitélio pigmentado da retina

(EPR), pelo que não podemos depender da

angiografia fluoresceínica para o diagnós-

tico ou prognóstico. Em boa parte destes

casos, sobretudo em estadios mais preco-

ces, o exame angiográfico pode ser com-

pletamente inocente, sem qualquer tradu-

ção da patologia em questão

1

. Apesar da

patologia da interface poder traduzir-se por

achados angiográficos característicos, à luz

dos conhecimentos actuais seria obsoleto

basearmo-nos apenas nestes achados para

um diagnóstico ou uma decisão terapêuti-

ca. Os factores de prognóstico actualmen-

te mais consensuais, como a integridade

dos fotorreceptores, facilmente inferida no

OCT através da integridade da membrana

limitante externa e zona elipsóide, não são

muitas vezes detectáveis angiograficamen-

te. Por outro lado, não é a detecção da

alteração da permeabilidade dos capilares

maculares que determina a necessidade de

intervenção cirúrgica.

No entanto, nos casos de distúrbios secun-

dários da interface, por exemplo, a patologia

primária da retina, coróide ou EPR, a angio-

grafia poderá ter utilidade na determinação

da natureza da lesão e, eventualmente, na

determinação do seu prognóstico e decisão

terapêutica.

EM QUE SITUAÇÕES NÃO DEVEMOS

DISPENSAR UMA ANGIOGRAFIA?

1.

Deverá ser sempre efectuado um estudo

angiográfico quando há dúvidas sobre a

natureza primária ou secundária da pato-

logia da interface ou, quando secundária,

se desconhece a que factor(es) se deve(m).

Por vezes, os achados fundoscópicos de

natureza inflamatória, por exemplo, podem

ser de tal modo discretos que passem des-

percebidos no exame clínico. Nestes ca-

sos, a avaliação angiográfica é fundamental

para diagnóstico de uma eventual vasculite,

papilite ou coroidite sub-clínicas, cuja de-

tecção atempada determinará um melhor

plano terapêutico

1

(Figura 1).

2.

A angiografia, com fluoresceína e/ou verde

de indocianina, é também imprescindível

nos casos de suspeita de outra patologia

concomitante à da interface vítreo-retinia-

na. Uma tracção vítreo-macular marcada

ou membrana epirretiniana grau 2, com

longo tempo de evolução pode associar-se

a uma profunda desorganização da retina

externa, com descolamento neurosenso-

Capítulo 24.

A angiografia fluoresceínica e a

autofluorescência são úteis na patologia

da interface?

Susana Penas