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Com o aparecimento da tomografia de coe-
rência óptica (OCT), o papel da angiografia
no diagnóstico da patologia da interface foi,
como é óbvio, relegado para um segundo
plano. Nos casos primários ou idiopáticos
dos distúrbios da interface, a etiopatogé-
nese não depende primariamente da retina,
coróide ou epitélio pigmentado da retina
(EPR), pelo que não podemos depender da
angiografia fluoresceínica para o diagnós-
tico ou prognóstico. Em boa parte destes
casos, sobretudo em estadios mais preco-
ces, o exame angiográfico pode ser com-
pletamente inocente, sem qualquer tradu-
ção da patologia em questão
1
. Apesar da
patologia da interface poder traduzir-se por
achados angiográficos característicos, à luz
dos conhecimentos actuais seria obsoleto
basearmo-nos apenas nestes achados para
um diagnóstico ou uma decisão terapêuti-
ca. Os factores de prognóstico actualmen-
te mais consensuais, como a integridade
dos fotorreceptores, facilmente inferida no
OCT através da integridade da membrana
limitante externa e zona elipsóide, não são
muitas vezes detectáveis angiograficamen-
te. Por outro lado, não é a detecção da
alteração da permeabilidade dos capilares
maculares que determina a necessidade de
intervenção cirúrgica.
No entanto, nos casos de distúrbios secun-
dários da interface, por exemplo, a patologia
primária da retina, coróide ou EPR, a angio-
grafia poderá ter utilidade na determinação
da natureza da lesão e, eventualmente, na
determinação do seu prognóstico e decisão
terapêutica.
EM QUE SITUAÇÕES NÃO DEVEMOS
DISPENSAR UMA ANGIOGRAFIA?
1.
Deverá ser sempre efectuado um estudo
angiográfico quando há dúvidas sobre a
natureza primária ou secundária da pato-
logia da interface ou, quando secundária,
se desconhece a que factor(es) se deve(m).
Por vezes, os achados fundoscópicos de
natureza inflamatória, por exemplo, podem
ser de tal modo discretos que passem des-
percebidos no exame clínico. Nestes ca-
sos, a avaliação angiográfica é fundamental
para diagnóstico de uma eventual vasculite,
papilite ou coroidite sub-clínicas, cuja de-
tecção atempada determinará um melhor
plano terapêutico
1
(Figura 1).
2.
A angiografia, com fluoresceína e/ou verde
de indocianina, é também imprescindível
nos casos de suspeita de outra patologia
concomitante à da interface vítreo-retinia-
na. Uma tracção vítreo-macular marcada
ou membrana epirretiniana grau 2, com
longo tempo de evolução pode associar-se
a uma profunda desorganização da retina
externa, com descolamento neurosenso-
Capítulo 24.
A angiografia fluoresceínica e a
autofluorescência são úteis na patologia
da interface?
Susana Penas




