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VÍTREO E DPV
O vítreo está fortemente aderente a todas as
estruturas contíguas do interior do globo ocu-
lar incluindo a membrana limitante interna da
retina (MLI), que é constituída por colagénio
tipo IV, através de macromoléculas como a
laminina, fibronectina e sulfato de condroitina,
constituindo a interface vítreo-retiniana¹.
Estas aderências são particularmente fortes
ao nível do disco óptico, base do vítreo, vasos
sanguíneos principais e mácula².
A liquefacção do vítreo e o enfraquecimento des-
tas aderências vítreo-retinianas, inicialmente na
mácula perifoveal e periferia, e posteriormente
na fóvea e disco óptico, provocam o aparecimen-
to do descolamento posterior do vítreo (DPV)³.
Quando esta separação, ao nível da interface ví-
treo-retiniana é incompleta ou inadequada surge
um DPV anómalo, com adesões persistentes e
fortes na região perifoveal (AVM), e caso estejam
presentes tracções antero-posteriores e tangen-
ciais levam a deformações anatómicas, forman-
do-se então a tracção vítreo-macular (TVM)
4.
TVM
Definição
Baseados unicamente nos achados anatómi-
cos observáveis no OCT, e de acordo com o
The International Vitreomacular Traction Study
(IVTS) Group
4
foi proposta a alteração da no-
menclatura da TVM, que na classificação de
Gass
5
, baseada no exame biomicroscópico,
era denominado buraco macular incipiente
estádio 1-A
(impending macular hole)
, carac-
terizado por uma “mancha” amarelada central,
com perda da depressão foveal e descola-
mento seroso da mácula (no OCT verificou-se
que existiam quistos foveais e descolamento
sensorial foveal associados a descolamento
perifoveal com tracção da hialoideia posterior
sobre a MLI foveal, e 1 B (buraco “oculto”) ca-
racterizado por um “anel” amarelado central,
igualmente com perda da depressão foveal
(no OCT existiam quistos na retina externa que
provocava ruptura da camada dos fotorrecep-
tores e igualmente descolamento perifoveal da
hialoideia posterior).
Assim, segundo o IVTS
4
, considera-se TVM
quando existe, em pelo menos um corte no
OCT ao nível da fóvea:
a.
Descolamento do córtex vítreo perifoveal da
superfície da retina.
b.
Conexão deste córtex vítreo à mácula num
raio de 3 mm da fóvea.
c.
Distorção da superfície foveal, com forma-
ção de pseudo-quistos intra retinianos (as-
socia-se a diminuição e distorção da visão)
e/ou elevação da fóvea acima do EPR.
Capítulo 6.
O que é a tracção vítreo-macular focal?
Joaquim Prates Canelas




