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INTRODUÇÃO

A tomografia de coerência óptica (OCT), pri-

meiramente descrita por Huang

et al

, é uma

técnica não invasiva que permite a aquisição

de cortes transversais da retina com resolu-

ção micrométrica

1

. Na última década, tem-se

observado um rápido desenvolvimento desta

tecnologia, o que permitiu um avanço signi-

ficativo na imagiologia vítreo-retiniana. Mais

especificamente, o estudo por OCT tornou-se

prática clínica comum na avaliação da pato-

logia da interface vítreo-macular (IVM), facili-

tando o seu diagnóstico, seguimento e prog-

nóstico

2-9

. A generalização do estudo da IVM

por OCT, levou, contudo, ao aparecimento

de múltiplas classificações e definições, não

consensuais, dificultando a comunicação mé-

dica

3,9

. No sentido de uma classificação OCT-

-baseada e unânime dos síndromes da IVM,

que incluem a tracção vítreo-macular (TVM) e

os buracos maculares, surgiu a nomenclatura

proposta pelo

The International Vitreomacular

Study (IVTS) Group

9

.

PATOFISIOLOGIA DA TVM

A TVM resulta do descolamento posterior

do vítreo (DPV) anómalo, em que persistem

adesões (focais ou alargadas) entre o cór-

tex vítreo e a mácula, condicionando trac-

ção macular com distorção da sua normal

arquitectura

9,10

.

DEFINIÇÃO

A TVM alargada foi definida pelo Grupo

IVTS

9

como a presença obrigatória, em pelo

menos um corte de OCT em modo B, de: 1)

DPV perifoveal; 2) adesão do córtex vítreo

>1500 µm dentro de um raio de 3 mm da

fóvea; 3) distorção da superfície foveal e/ou

alterações estruturais intra-retinianas (cavita-

ção intra-retiniana, espaços cistoides) e/ou

elevação da fóvea acima do EPR, na ausên-

cia de um defeito que envolva toda a espes-

sura das camadas retinianas (Figuras 1 e 2).

Pode ser ainda subclassificada em isolada ou

concomitante, respetivamente se for primá-

ria ou se estiver associada a outra patologia

retiniana

9

, como edema macular diabético,

oclusão venosa da retina e degenerescência

macular da idade

11

.

De referir que a TVM alargada na classificação

IVTS corresponde ao buraco macular de esta-

dio 1

12

e que o termo alargado implica sempre

adesão >1500 µm

9

. Uma TVM alargada pode

originar um perfil foveal aplanado, com perda

da depressão foveal, e descolamento da neu-

rorretina

10

.

SINTOMATOLOGIA

Os sintomas correlacionam-se com as altera-

ções estruturais induzidas pela TVM alargada

Capítulo 7.

O que é a tracção vítreo-macular alargada?

Sara Vaz-Pereira