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A tomografia de coerência óptica (OCT) apli-
cada ao segmento posterior do olho é, nos
nossos dias, uma ferramenta fundamental
para avaliar a estrutura macular e a interfa-
ce vítreo-retiniana (IVR). Esta técnica imagio-
lógica permitiu uma melhor caracterização
das afecções maculares e das configurações
anatómicas do vítreo posterior, possibilitando
também uma melhor compreensão do des-
colamento posterior do vítreo (DPV) anómalo.
Este evento pode dar início a um processo
de transformação morfopatológica ao nível da
IVR, bem caracterizado através de achados
anatómicos no OCT
1
. Trata-se de um proces-
so sequencial e gradativo, do qual a adesão
(AVM) e tracção (TVM) vítreo-maculares são
duas potenciais complicações.
A AVM e a TVM podem coexistir com outras
patologias maculares, designando-se por
concomitantes
1
. Nas formas isoladas, as al-
terações estruturais maculares apenas estão
relacionadas com a IVR anómala, enquanto
que, nas formas concomitantes, as outras pa-
tologias maculares podem contribuir para es-
sas alterações, não sendo muitas vezes fácil
isolar o contributo relativo de cada uma delas.
Nas formas concomitantes de AVM ou TVM
estamos perante um espectro patológico pa-
ralelo, com uma etiopatogenia diferenciada, a
actuar simultaneamente na retina, com even-
tual sinergia ou interligação de mecanismos
patogénicos.
Face à insuficiência dos dados disponíveis so-
bre a fisiopatologia de algumas doenças reti-
nianas, tem surgido evidência crescente da
importância da IVR neste contexto. A AVM e
as forças que a TVM exerce na retina, sejam
antero-posteriores ou tangenciais, foram fa-
cilmente associadas às chamadas patologias
da IVR, como o buraco macular e a membrana
epirretiniana, mas também a outras condições
oculares como a degenerescência macular
relacionada com a idade (DMI) (Figuras 1 e 2),
o edema macular diabético (EMD) (Figura 3), a
distrofia viteliforme) (Figuras 4 e 5) e as oclusões
venosas da retina (OVR) (Figuras 6 e 7).
2
.
A neovascularização retiniana requer a pre-
sença de um suporte estrutural de colagé-
nio e, assim, foi sugerido que a AVM e TVM
poderão contribuir para a patogénese e pro-
gressão da retinopatia diabética e DMI
3
.
A
AVM ou TVM actuariam de forma multifac-
torial na progressão e exacerbação da for-
ma exsudativa da DMI e diversos estudos
demonstraram que DPV´s incompletos e
AVM´s são significativamente mais frequen-
tes em doentes com DMI exsudativa do que
naqueles com doença não-exsudativa e em
controlos
4
. Foi igualmente demonstrada uma
maior prevalência da hialóide posterior ade-
rida e com configuração traccional no OCT
em doentes com DMI exsudativa
5
. Este exa-
me também permitiu evidenciar a coincidên-
cia da localização das AVM/TVM com a das
Capítulo 8.
O que é uma adesão ou tracção vítreo-macular
concomitante?
João Figueira, Francisco Saraiva Gil




