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A fosseta colobomatosa do disco óptico é

um defeito congénito raro, frequentemente

assintomático que se apresenta como uma

escavação acinzentada ou esbranquiçada

habitualmente localizada no lado temporal

do disco (Figura 1). Torna-se sintomáti-

ca com a associação da maculopatia que

ocorre com uma frequência variável (25 a

75 %) consoante as séries. Apesar de ser

uma entidade descrita pela primeira vez em

1882 (Wiethe) continua até hoje a haver

controvérsia acerca do mecanismo fisiopa-

tológico e da origem do fluido que condicio-

na a maculopatia associada. A origem do

fluido parece provir directamente da fosseta

para a retina, a partir do vítreo ou do flui-

do cerebro-espinal (espaço subaracnoideu)

(Figura 2).

O estudo por OCT em 2010 de Imamura

et

al

1

de 16 olhos com maculopatia associa-

da a fosseta colobomatosa revelou que a

presença de fluido foi mais frequentemen-

te identificada na camada nuclear externa

(94 %) mas que também podia estar pre-

sente sob a limitante interna, na camada

de células ganglionares ou na camada nu-

clear interna; na maioria dos casos (81 %)

o fluido estava presente em mais do que

uma camada celular. A presença de desco-

lamento de retina foi identificada em 69 %

dos casos, mas nestes nem sempre foi

possível associar a presença de um buraco

lamelar externo (27 %). Um exemplo deste

tipo de achados está documentado nas fi-

guras 3 e 4.

Capítulo 19.

Qual o papel da interface vítreo-retiniana na

maculopatia associada à fosseta colobomatosa

do disco óptico?

Teresa Quintão, João Nascimento

Figura 1.

Retinografia evidenciando uma fosseta

colobomatosa da papila.