93
A relação do vítreo com a superfície da
retina apresenta uma grande singulari-
dade nas crianças e principalmente nos
prematuros.
A adesão particularmente forte entre o
vítreo e a retina, que chega a não per-
mitir o descolamento posterior do vítreo
cirúrgico nos bebés e crianças
1-3
, é a que
confere geometrias peculiares ao desco-
lamento de retina e síndrome de tracção
vítreo-retiniana na retinopatia da pre-
maturidade (ROP)
4
. Quando falamos em
ROP falamos numa doença proliferativa
da retina ainda fetal, não desenvolvida
nem diferenciada quer na sua estrutura
intrínseca (fotorecetores e células da re-
tina) quer na sua superfície (limitante in-
terna e hialoideia posterior)
5
. O gel vítreo
é profundamente denso no prematuro.
Porém, com a riqueza de substâncias
em suspensão (VEGF, IGF1, mediadores
e células inflamatórias, sangue) durante
a ROP, o não completo desenvolvimen-
to, a persistência de algumas estruturas
virtuais do vítreo primário (que acabou de
regredir) e a criação de bolsas de lique-
Capítulo 20.
Quais as particularidades da interface
vítreo-retiniana na retinopatia da
prematuridade?
Susana Teixeira
Figura 1.
Membrana proliferativa com crescimento centrípeto
em direcção ao centro do olho e disco óptico.
Fez-se ablação laser da retina avascular periférica.




