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A relação do vítreo com a superfície da

retina apresenta uma grande singulari-

dade nas crianças e principalmente nos

prematuros.

A adesão particularmente forte entre o

vítreo e a retina, que chega a não per-

mitir o descolamento posterior do vítreo

cirúrgico nos bebés e crianças

1-3

, é a que

confere geometrias peculiares ao desco-

lamento de retina e síndrome de tracção

vítreo-retiniana na retinopatia da pre-

maturidade (ROP)

4

. Quando falamos em

ROP falamos numa doença proliferativa

da retina ainda fetal, não desenvolvida

nem diferenciada quer na sua estrutura

intrínseca (fotorecetores e células da re-

tina) quer na sua superfície (limitante in-

terna e hialoideia posterior)

5

. O gel vítreo

é profundamente denso no prematuro.

Porém, com a riqueza de substâncias

em suspensão (VEGF, IGF1, mediadores

e células inflamatórias, sangue) durante

a ROP, o não completo desenvolvimen-

to, a persistência de algumas estruturas

virtuais do vítreo primário (que acabou de

regredir) e a criação de bolsas de lique-

Capítulo 20.

Quais as particularidades da interface

vítreo-retiniana na retinopatia da

prematuridade?

Susana Teixeira

Figura 1.

Membrana proliferativa com crescimento centrípeto

em direcção ao centro do olho e disco óptico.

Fez-se ablação laser da retina avascular periférica.