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No EMD há diferenças entre a diabetes tipo 1 e
a diabetes tipo 2?
Natália Ferreira, Bernardete Pessoa
A diferenciação dos dois tipos de diabetes mellitus (DM) tem importância
não só pela diferente patogénese que os caracteriza, mas também pelas espe-
ci%cidades ligadas ao tratamento, modo de apresentação e abordagem das
manifestações clínicas de cada um dos tipos. De um modo sucinto de%ne-se
DM tipo 1 (DM1) como uma doença autoimune que se traduz na perda da
produção de insulina produzida no pâncreas, ocorrendo o seu diagnóstico
geralmente antes dos 20 anos, sendo ainda característica a necessidade de
tratamento com insulina aquando do diagnóstico. A DM tipo 2 (DM2) ocorre
em doentes geneticamente suscetíveis, com diminuição da secreção de insu-
lina, resistência à insulina e desregulação da produção da glicose hepática.
Entram nesta classi%cação os doentes diagnosticados com 40 ou mais anos de
idade, independentemente da necessidade de insulinoterapia, bem como os
doentes com DM diagnosticada numa idade mais jovem mas sem carência de
insulinoterapia
1,2
.
A instalação de lesões de retinopatia diabética (RD) na DM 1 e DM 2
- A
prevalência de todos os tipos de RD na população diabética aumenta com a
duração da DM e idade dos doentes. Os doentes diabéticos, normalmente,
só começam a desenvolver lesões de RD 3 a 5 anos após o início da doença
sistémica. Ao %m de 5 anos 23% dos doentes diabéticos tipo 1 tem retinopatia.
Após 10 anos esta incidência aumenta para quase 60% e depois de 15 anos
80% têm retinopatia. Na DM2 a RD encontra-se em aproximadamente 20%
dos casos ao estabelecer o diagnóstico, aumentando esta cifra para 60-85%
depois de 15 anos. Por conseguinte, os doentes com DM2 têm maior probabi-
lidade de desenvolver RD mais cedo, após o estabelecimento do diagnóstico,
relativamente aos doentes com DM1. Após 20 anos de hiperglicemia quase
todos os diabéticos tipo 1 e mais de 60% dos diabéticos tipo 2 apresentam
algum grau de retinopatia
3-5
. Na DM1, o estudo
Diabetes Control and Com-
plications Trial
demonstrou que o controle glicémico estrito reduz em 76%, o
risco do desenvolvimento e, em 54%, da progressão da RD, com redução na
necessidade de laserterapia e maior preservação da visão. Também na DM2, o




