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realizada em olhos com edema macular de longa data. É expectável que tais
olhos já tenham sofrido danos estruturais marcados que os tornem refratários a
qualquer tipo de tratamento, incluindo a vitrectomia. Por outras palavras, estes
olhos podem ser refratários à vitrectomia pelo mesmo motivo que são refratários
aos agentes anti-VEGF. Na verdade, dois estudos já demonstraram uma correla-
ção entre a
integridade pré-vitrectomia da retina externa (membrana limitante
externa e elipsóide) e o potencial de melhoria da AV após a vitrectomia
14,15
.
São necessários ensaios clínicos randomizados com grandes amostras para
esclarecer o papel da vitrectomia na AV em olhos com retina externa preservada
em comparação com outras modalidades de tratamento.
PAPEL DA PELAGEM DA MLI?
Classicamente a pelagem da MLI é a melhor garantia de
eliminação de todas
as forças tracionais antero-posteriores e tangenciais, remoção de todo o cór-
tex vítreo e ainda de redução da proliferação celular
. No entanto, apesar deste
benefício ainda não estar cienti%camente comprovado, parece existir uma van-
tagem com a remoção da MLI nos EMD associados a exuberante proliferação
%broglial na retinopatia diabética proliferativa grave. Nestes casos a remoção da
ILM reduz a formação de membranas epirretinianas tardias (22% versus 86% a
mais de 9 meses de follow-up- análise retrospectiva)
16
.
Numa meta-análise de 5 estudos, concluiu-se que não houve diferença esta-
tística na AV pós-operatória em doentes com EMD submetidos a VPP com ou sem
pelagem da MLI
17
.
Kumagai
et al.
compararam o resultado funcional pós-operatório a longo pra-
zo (12 a 161 meses) de olhos com EMD submetidos a vitrectomia com e sem
pelagem da MLI. Veri%caram que a VPP melhorou a AV a longo prazo, mas a
pelagem da MLI não in`uenciou de forma estatisticamente signi%cativa a AV
18
.
Ulrich
et al.
publicaram um estudo retrospetivo no qual incluíram 31 olhos
com EMD não tracional submetidos a vitrectomia e pelagem da MLI. Aos 6
meses, veri%caram uma melhoria signi%cativa da espessura macular central e da
AV comparativamente ao pré-operatório (357
vs
427 µm, p = 0,03; 20/49
vs
20/82, p = 0,03). Doentes com membrana limitante externa e zona elipsoide pre-
servadas tinham uma melhor AV pré-operatória do que os doentes que apresen-
tavam irregularidades na retina externa (20/54
vs
20/100; p=0,03) e maior ganho
visual no pós-operatório (20/33, p <0,001
vs
20/81 p>0,05)
19
.
A maioria dos estudos demonstraram uma diminuição estrutural do EMD
quando associada a pelagem da MLI, no entanto os resultados visuais não
acompanham a melhoria anatómica
5
.
Estudos prospetivos randomizados com amostras adequadas são necessários
para validar esta possível abordagem cirúrgica do EMD.




