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Apesar da MAVC (melhor acuidade visual cor-

rigida) constituir a ferramenta “

gold standard

de medição da função visual é largamente re-

conhecido que os testes convencionais de vi-

são subestimam o grau de atingimento funcio-

nal, particularmente em doentes mais velhos

1

.

A microperimetria guiada do fundo ocular, uti-

lizando a capacidade dos aparelhos utilizados

para controlar a fixação e corrigir os movimen-

tos do globo ocular veio permitir um registo

preciso da sensibilidade macular. Embora

alguns dos aparelhos disponíveis na clíni-

ca (Nidek Inc. - MP1, Opko Instrumentation

Spectral OCT/SLO - OSLO, e Zeiss Humphrey

Field Analyser - HFA) apresentem característi-

cas diferentes, todos eles apresentam carac-

terísticas semelhantes aos perímetros clínicos

standard

, nomeadamente padrões espaciais,

algoritmos de limiares e, tamanhos e duração

dos estímulos permitindo uma boa reproduti-

bilidade

2

. O perímetro HFA usa um sistema de

projecção com uma grande gama de intensi-

dades do estímulo, enquanto os microperime-

tros MP1 e o OSLO usam pequenos monitores

de estado sólido para apresentar os alvos so-

bre uma limitada gama de intensidades.

A camada de fibras nervosas e a elipsóide dos

segmentos internos dos fotorreceptores bem

identificados no SD-OCT, estão interrompidos

no buraco macular (BM) e a sua disrupção

pode não afectar apenas a acuidade visual

(AV) mas também outros parâmetros funcio-

nais vitais como o campo visual central e a

estabilidade de fixação.

Alguns estudos recentes

3

sugeriram que a in-

tegridade da elipsóide dos segmentos internos

dos fotorreceptores está fortemente correlacio-

nada com a recuperação da AV e que a sua dis-

rupção constitui melhor prognóstico para a AV

pós-operatória do que as tradicionais medidas

por OCT, nomeadamente a espessura macular

central. Estes estudos através da microperime-

tria mostraram que tanto a sensibilidade macu-

lar central como a sensibilidade macular média

melhoraram significativamente após cirurgia

bem-sucedida do buraco macular.

Também num estudo realizado em 39 olhos

com buraco macular lamelar (BML)

4

se verifi-

cou que a sensibilidade macular estava signifi-

cativamente reduzida comparativamente com

olhos saudáveis e de acordo com a MAVC na

mesma população. Esta redução da sensibili-

dade era ainda mais acentuada quando se ex-

ploravam os 2º centrais, apesar de se encon-

trar uma fixação estável numa grande percen-

tagem de olhos (86 %) comparada com a que

é reportada na literatura no buraco macular de

espessura total (42 %) ou no “pucker macu-

lar” (28 %). No entanto esta relação embora

estatisticamente significativa era fraca, espe-

culando-se se a presença de uma membrana

epirretiniana (MER), presente em elevada per-

Capítulo 22.

A microperimetria é útil na avaliação

da patologia da interface?

Victor Ágoas