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Qual o papel dos corticóides no tratamento do
EMD?
Susana Teixeira, Filomena Silva
INTRODUÇÃO/RACIONAL
O uso de corticóides para o tratamento de doenças oculares remonta aos
anos 50. São medicamentos cujos mecanismos de acção ainda não são com-
pletamente conhecidos. Sabemos que têm propriedades anti-in`amatórias,
anti-angiogénicas e de estabilização da permeabilidade da parede vascular
controlando assim simultaneamente a cascata in`amatória e a cascata prolifera-
tiva. São versáteis pois têm uma actividade extra-genómica e genómica. Assim,
os principais efeitos dos corticóides são: a estabilização da barreira hematorre-
tiniana, a redução da exsudação e a diminuição da in`amação. Os corticóides
induzem a formação de proteínas (lipocortinas) que controlam a in`amação
diminuindo a quimiotaxia dos leucócitos. Têm ainda a capacidade de condicio-
nar a expressão dos genes (actividade genómica) responsáveis pela produção de
VEGF, alfa-TNF e outras citoquinas relacionadas com a in`amação aumentando
ainda a expressão do PEDF.
Assim o seu uso no tratamento do EMD pode ser em teoria mais justifi-
cado que o uso dos anti-VEGF que apenas têm como alvo parte da cascata
inflamatória.
As formulações comerciais existentes
de corticóide para utilização intra-
vítrea são
:
Acetonido de triancinolona
(off-label)
Implante Intravítreo de 0,7 mg Dexametasona (OZURDEX)
Implante Intravítreo de longa duração de 0,19 mg Fluocinolona (ILUVIEN)
Acetonido de Triancinolona
A Triancinolona foi a 1ª formulação corticóide usada de um modo
off-label
para o tratamento do EMD. Inicialmente além da forma intravítrea também foi
usada sob a forma de injecção sub-tenoniana.
Os
protocolos B e I do
DRCR.netforam dois importantes estudos para a
avaliação da e%cácia da triancinolona no tratamento do EMD.
O
Protocolo B
englobou 840 doentes divididos em 3 braços: laser focal,




